quarta-feira, 26 de novembro de 2008








Jardim órfão

Segundo Rubem Alves, política é a arte da jardinagem. Em se tratando do particular maranhense podemos sustentar a idéia de um grande jardim? E no mesmo passo, podemos salvaguardar a tese de termos bons jardineiros?

Em um terreno tão movediço e camaleônico como é configurado o feudo maranhense é necessário que tenhamos muita lucidez para responder tais questionamentos. Indubitavelmente, o Maranhão é um grande jardim! No entanto, esse título se da, estreitamente, no plano in natura da coisa.

O Maranhão na sua gênese era uma bela terra. Até quando emergiram gigantes “Adamosteres” com idéias demoníacas e expansionistas. Na efebulação não-mítica, o cabo das tormentas se instalou longe dos mares camonianos. Com uma conotação colonizadora o jardim maranhense vem sendo vilipendiado desde a chegada da Nau diabólica de Cabral.

E nesse compasso caótico, agora, na contemporaneidade, contando com a negligência de nossos políticos-jardineiros o espaço maranhense vem celeremente perdendo ainda mais sua conotação de beleza. A palavra jardim denota “espaço-fechado”. Porque fechado? Para ser protegido, afirma Rubem Alves. Nesse contexto, o Maranhão vem sendo protegido? Claramente, não!
Um péssimo saneamento básico, esgotos a céu aberto, quantidade exacerbada de lixo nas ruas. Eis algumas das pragas que maculam nosso jardim-estado.

Desse modo, o perfil de péssimos jardineiros em nosso Estado é reiterado. De Cabral a Sarney, os jardineiros infiéis do povo maranhense, cuidam apenas de seus micro-jardins (suas casas), e esquecem do macro-jardim (o Estado)...

A Canaã maranhense do maranhense Graça Aranha - com a permissão do trocadilho – estará cada vez mais distante de nossas retinas... Enquanto os nossos gestores forem esses péssimos jardineiros o Éden maranhense estará fadado a viver sem os cuidados necessários, por conseguinte, órfão, à mercê da própria sorte...

terça-feira, 11 de novembro de 2008


A teia do medo

A culpa sempre é atribuída aos homens do camburão. Mas será que o coma brasileiro tem uma única raiz? Certamente, não! Reduzir o caráter caquético do Estado nacional ao pormenor – policia militar – é minimizar a culpa dos principais responsáveis, os políticos corruptos.

Na logística “verde e amarela”, existem heróis e vilões. “Numa cidade muito longe daqui”, música cantada por Marcelo D2 e Leandro Sapucahy traduz com alguma sorte o cenário brasileiro: “homens da lei viram bandidos, homens bons viram homens maus.” Nesse contexto, policiais com seus péssimos salários se deixam corromper pelas nuances ilegais do Estado paralelo.

No entanto, não podemos digerir esse clandestino expediente. A lisura de um homem não pode se flexibilizar por conta de expedientes ilegais. Santo Agostinho observou que os criminosos, enquanto criminosos isolados estão sob domínio da ordem. Mas como isolar àqueles que teoricamente seriam os responsáveis pela manutenção da ordem? Mais um paradoxo do Estado brasileiro.

O “império do medo”, não é uma ação exclusiva de desertores que do alto do morro comandam laços diabólicos com, policiais corruptos. Segundo Rubem Alves, esse império é uma ação das organizações ricas, racionais, poderosas com armas modernas. Essa teia do medo conta com empresários, magistrados, e com eles, obviamente, os parteiros do medo: políticos corruptos.

No país do futebol, das orgias administrativas, do Estado de improbidade, do carnaval perene... Se já não fosse o bastante, ainda contamos com essa organização criminosa. Os responsáveis pela salvaguarda da ordem, vão à contramão dos seus papeis... E desse modo, disseminam a desordem! “Ordem e Progresso”? Belo lema positivista apregoado na bandeira nacional! Entretanto, a práxis da teoria nunca habitou o solo brasileiro...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Famigerado Sistema...

Mundo em dias caóticos! Impactos explodem com ferocidade... Percebemos a bomba-relógio do aquecimento global! A Gaia está vilipendiada!Desse modo, notamos uma insurreição planetária por meio de tufões, furacões, derretimento indiscriminado das calotas polares, entre outros exemplares... Tudo isso parido pela demência humana, que tem como válvula oxigenadora, o vil metal... Na logística diabólica do grande capital, o homem desmata, o homem degrada, o homem polui... O homem deixa de ser sapiens e passar a ser demens como sinalizava Leonardo Boff.Tributários do putrefato conceito maquiaveliano, continuarão usando de todos os meios para que alcance o fim, qual seria esse fim? O alargamento de seus tentáculos-multinacionais...
E, como domar a voracidade e a sacanagem do capitalismo selvagem? Tarefa difícil, quase surreal. Como podemos nos esquivar de um sistema que dita os nossos passos? Vivemos em um mundo interligado, segundo o pseudo-discurso ventilado pelos senhores do Sistema... O conceito “globalizatório” fala em encurtamento das diferenças sociais, mas na prática, percebemos o hiperbólico paradoxo que está mergulhado esse conceito...
Na verdade globalização é a falsa noção do que seria integridade entre as nações, é o infeliz do grande capital, por meios de seus serviçais, grandes empresários, transmitem o discurso evasivo de integração...
Enquanto isso, a Gaia vem sofrendo... Fruto do materialismo inconseqüente... Antes sofria de forma silenciosa, hoje não mais... Tempo de barbárie então virá... Tempo de êxodo e dispersão... O cenário atual parece apocalíptico, parece que ninguém poderá suplantar a ira da natureza...